(Bernardo Malta)
Estou caindo no vazio
Onde velhas feridas
Tornam-se a abrir
Vejo a luz lá na superfície
- É a melodia da redenção
E não mais a sua canção de ninar
E eu me afogo.
Não em águas ou mágoas
E sim em momentos,
Breves tormentos,
Onde seu rosto perfeito
Rasga-me o peito
Ao se desmanchar no fogo
Enquanto se alimentas de amor,
Morro de fome esperando seus restos
Ainda que amigo, seu protetor
Não mais salivo este gosto indigesto
Soterrado e desterrado
Deixo meu último recado
Através de líricas e trovas
Em poços, e no cal das covas.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Versos do Verso
Novamente me vejo escrevendo,
Nesta folha morta,
Que as vezes penso na falta de sorte,
Mas não importa,
Agora meu coração bate mais forte
E bate quando eu te vejo
(E quando não vejo)
E bate quando você vem
(E quando não vem)
E bate quando eu te beijo
(Mas eu não beijo)
E na saudade bate também
Pode me ver como amigo,
Não há problema em ver,
Mas saiba que só contigo
Eu me sinto enfim em paz,
Paz que ninguém há de oferecer,
Jamais.
Meu Espetáculo
Vejo na sua retina
Espetáculo, sim
Que prorroga a rotina
Do início, meio e fim
Vejo na sua alma o
Espetáculo, e não,
Não espero ouvir as palmas
Pela sua triste atuação
E num passe de mágica
A peça vira trágica
O espetáculo perde a graça
Quando a platéia vê a farsa
Vejo nos seus frisos
Espetáculo, sim
Que dissona de nossas risos
Da tristeza de nós,
Da tristeza de mim
Pois eu pus meu coração
Em todos os versos que fiz
Me entreguei até o último avo da fração
E me vejo agora por um triz
E num passe de mágica
A peça fica trágica
O espetáculo já sem graça
É consumido pelas traças
Ode ao Ódio
Por mais de 10 anos
Arrastei sua corrente
Não sou Deus, não sou crente
Sou só mais um doente
E sentir esse veneno
Gosto ameno de sua mente
E o seu jeito reticente
Faz de mim um demente
Faço o teu Inferno
O meu Carnaval
Pra ser bem sincero
Só quero o seu mal
Meu bem, pra sempre e eterno
Este é meu conto sem final
Uma criança no Inverno
Sem presente de Natal
Tudo o que te resta
É moer o meu ódio
Vomitar os seus pecados
Ou descer deste pódio
Tudo seu que não presta
Seu rosto e coração
Feitos do que resta
De uma doce Ilusão
Anacruse
Ana, queria te encontrar
Te contar os meus segredos
E me livrar destes medos
Ana, lista de meus defeitos
A parte de meus problemas
Minha artista das mil cenas
Ana, grama do meu jardim
Que não seca ao pisarem
Em seu verde cetim
Ana, cruze nossos caminhos
De compassos incompletos
Repletos de espinhos
Ana, crônica da minha vida
A que se perde na história
De uma memória partida
Ana, estrofe das poesias
Escritas sem destinatário
E sem acordes ou harmonias
Ana, morada do meu coração
Cuide dele com o esmero
Que eu fiz esta canção
sábado, 26 de dezembro de 2009
O Reticente
(Bernardo Malta)
Secam-se os lábios
De conselhos sábios
E palavras intocáveis
Tornam-se afáveis
Secam-se bocas,
Salivas viram sal
Em gargantas roucas,
Ouve-se apenas o gutural
No silêncio
O reticente é condizente
Ao silêncio iminente
Faz dele o ventre
De ideias ousadas
E o túmulo
De linhas apagadas ...
Secam-se os olhos
Desfocados pelas mágoas
E cerrados por águas
Afogam-se os poros
No silêncio
O reticente é condescendente
Ao silêncio que não sente
Faz dele o berço
De poemas calados
E o mausoléu
De livros queimados ...
Em vão
(Bernardo Malta)
Afago do destino
Em ocupar este vazio
Sentimentos de irmãos
E de amores em vão
Amargo desatino
Destes pulsos finos
Vagando em solidão
Entre amores em vão
Carinhosa cara-metade
De flores, cardos e espinhos
Cármica tempestade
Dorme carente em meus sonhos
Vago fascínio
Por este rosto divino
Racionaliza meu existir
Frente a este amor
Em vão
O Pombo
(Bernardo Malta)
E onde já se viu
Filhote de pombo?
No mesmo covil
De um enterro de anão
Mar macio de veludo,
Entre alunos, crentes
E seres humanos carentes
É o mentor de nós, doentes
No mau cio desta vida
Despreza cedros e pombas
Ao nadar em minhas mágoas
E esperar sua dama das águas
E no mau cio desta vida
Entre a fé de um mero erro, mero...
E o tormento da loucura
Proeza é sorrir com esmero
E não mais cito
Aquilo antes dito
Pois sou eu o filhote
De meu mentor, amigo e irmão
O pombo
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Xadrez
(Bernardo Malta e Márcio Pombo)
Mover-se um quadrado
Pra frente ou pra trás
Diferencia um rei
De um peão
Mas sigo em blocos
Em preto e branco
E nunca olho para trás
todos peças desse mesmo jogo
reis, bispos a cavalo, sonhos...
Mas sigo em blocos
Em preto e branco
Bravo, marchando sempre em frente
Sempre em frente
À frente, toda essa geometria
Atrás, divina hierarquia
E por todo lado
Soldados de pedra
dançando cada um no seu quadrado
Na primeira com dois passos vou
Na ilusão de ir além
amém pra frente comandado sou
diagonal, quero comer alguém
vem meu bem!
Mover-se um quadrado
Pra frente ou pra trás
Diferencia um rei
De um peão
Mas sigo em blocos
Em preto e branco
E nunca olho para trás
todos peças desse mesmo jogo
reis, bispos a cavalo, sonhos...
Mas sigo em blocos
Em preto e branco
Bravo, marchando sempre em frente
Sempre em frente
À frente, toda essa geometria
Atrás, divina hierarquia
E por todo lado
Soldados de pedra
dançando cada um no seu quadrado
Na primeira com dois passos vou
Na ilusão de ir além
amém pra frente comandado sou
diagonal, quero comer alguém
vem meu bem!
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Tungstênio
(bernardo malta)
Olhos abertos
Porém cobertos,
Pela escuridão
Olhos em cruz
Banhados à luz
Do imenso clarão
Ainda que abertos ou fechados
São os olhos cegos
Olhos cegos da humanidade
Lembre-se que à margem
De todo foco de sua luz
As sombras são a paisagem
E lembre-se que o seu claro
É lar do escuro que te seduz
Inerte ao riso e ao escarro
Olhos salgados,
Porém lacrados
Pela escuridão
Olhos distantes
Sonhadores, errantes
Em direção à sua luz
Ainda que salgados ou errantes
Todos olhos apenas cegos
Cegos da vaidade
Olhos abertos
Porém cobertos,
Pela escuridão
Olhos em cruz
Banhados à luz
Do imenso clarão
Ainda que abertos ou fechados
São os olhos cegos
Olhos cegos da humanidade
Lembre-se que à margem
De todo foco de sua luz
As sombras são a paisagem
E lembre-se que o seu claro
É lar do escuro que te seduz
Inerte ao riso e ao escarro
Olhos salgados,
Porém lacrados
Pela escuridão
Olhos distantes
Sonhadores, errantes
Em direção à sua luz
Ainda que salgados ou errantes
Todos olhos apenas cegos
Cegos da vaidade
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
espelhos do pecado
(bernardo malta)
Vejo uma galeria de espelhos
Toda ao seu redor
Refletindo o vibrante vermelho
Do manifesto de sua dor
Vejo uma galeria de retratos
Sorrindo à sua volta
Eternizando seus maltratos
Do reflexo de sua revolta
Ao foco de sua vida
Caída.
A beleza, o seu pecado
E a estupidez, o seu legado
Vai deixar pra trás
O seu espelho estilhaçado?
Vejo ao seu redor
Fragmentos de espelhos
Abortados de qualquer cor
Perfurando seus joelhos
Sufrágio da beleza interna
Para os Narcisos e os Corcundas
Ou até quando a vida eterna
Cicatrizar feridas profundas
Vejo uma galeria de espelhos
Toda ao seu redor
Refletindo o vibrante vermelho
Do manifesto de sua dor
Vejo uma galeria de retratos
Sorrindo à sua volta
Eternizando seus maltratos
Do reflexo de sua revolta
Ao foco de sua vida
Caída.
A beleza, o seu pecado
E a estupidez, o seu legado
Vai deixar pra trás
O seu espelho estilhaçado?
Vejo ao seu redor
Fragmentos de espelhos
Abortados de qualquer cor
Perfurando seus joelhos
Sufrágio da beleza interna
Para os Narcisos e os Corcundas
Ou até quando a vida eterna
Cicatrizar feridas profundas
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
soneto de um amor fantasma
(bernardo malta)
Destilado do mais refinado ódio
Entre todos os sentimentos, o vão
Aos por ele ferido não há o pódio
Pois faz os homens perderem a razão
Almejo, sobre tudo, a perfeição
Desde que ela procurei na solidão
Ao viajar buscando a perdição
Afundando aos pouco na confusão
Nas mais profundas linhas do sofrimento
Vejo que a beleza fere o crucial
Seja o primeiro ou o último momento
Essa é a minha jornada sem final
Pra que o coração, minha luz e tormento,
Por fim ache sua sina, seu Graal
Destilado do mais refinado ódio
Entre todos os sentimentos, o vão
Aos por ele ferido não há o pódio
Pois faz os homens perderem a razão
Almejo, sobre tudo, a perfeição
Desde que ela procurei na solidão
Ao viajar buscando a perdição
Afundando aos pouco na confusão
Nas mais profundas linhas do sofrimento
Vejo que a beleza fere o crucial
Seja o primeiro ou o último momento
Essa é a minha jornada sem final
Pra que o coração, minha luz e tormento,
Por fim ache sua sina, seu Graal
ao meu deus de porcelana
(bernardo malta)
Meu intocável Deus de Porcelana
Acima da crença, acima de tudo
Com palavras belas, apenas engana
A esperança do surdo ouvir o mudo
E já está refutado e provado
Aquele que espera nunca alcança,
Aquele que age é o flagelado,
E aquele que reza morre da crença
Meu inquebrável Deus de Porcelana,
A fé que o move é a que me destrói
Estuprando-me com sua lâmina
Me faz morrer,logo, como herói
Pulsos latejando não exprimem a dor
De olhos sangrando o rubro de minha calma
E, calejado corpo de Judas - traidor!
Imune só às emoções de minha alma
Meu fragmentado Deus de Porcelana,
A fé não passa de um delírio
Um convite para se afogar na lama
E de se distanciar do exílio
Faça-me crer em algo que exista
Não em palavras sacras de sermões
A idéia de ter uma luta em vista
Me encoraja a me prender a ilusões
Meu intocável Deus de Porcelana
Acima da crença, acima de tudo
Com palavras belas, apenas engana
A esperança do surdo ouvir o mudo
E já está refutado e provado
Aquele que espera nunca alcança,
Aquele que age é o flagelado,
E aquele que reza morre da crença
Meu inquebrável Deus de Porcelana,
A fé que o move é a que me destrói
Estuprando-me com sua lâmina
Me faz morrer,logo, como herói
Pulsos latejando não exprimem a dor
De olhos sangrando o rubro de minha calma
E, calejado corpo de Judas - traidor!
Imune só às emoções de minha alma
Meu fragmentado Deus de Porcelana,
A fé não passa de um delírio
Um convite para se afogar na lama
E de se distanciar do exílio
Faça-me crer em algo que exista
Não em palavras sacras de sermões
A idéia de ter uma luta em vista
Me encoraja a me prender a ilusões
o pianista cego
(bernardo malta)
Eu nunca me importei
Com o que eu era
Para mim tanto faz
Se hoje Bela, amanhã Fera
Só desejo no final ter paz
Eu nunca me importei
Com o ser ou não ser
Se hoje Deus, amanhã Satanás
Demorou pra perceber
Que para o cego tanto faz
Uma nota para derrota
A estupidez me tira desta rota
E um compasso sujo a traços
Não irá me fazer ver o espaço
As lágrimas marcam meu rosto pálido
Meu mundo, fragmentado em mil partes
Como pode este meu eu inválido?
Fazer parte deste mundo das artes?
"Mais uma nota, minha derrota
A estupidez sempre me esgota
Mais um compasso, ao descompasso
Quem me dera poder ver o espaço
Só é verdadeiro o amor de cego
Sem promessas, sem belas visões
Numa consciência sem aspirações
É inexorável a falta de ego
Meu som não soa mais violento
Minha música, não mais atroz
Fiz no palco o silêncio criar voz
Enquanto o compasso ficava cada vez mais lento ...
Eu nunca me importei
Com o que eu era
Para mim tanto faz
Se hoje Bela, amanhã Fera
Só desejo no final ter paz
Eu nunca me importei
Com o ser ou não ser
Se hoje Deus, amanhã Satanás
Demorou pra perceber
Que para o cego tanto faz
Uma nota para derrota
A estupidez me tira desta rota
E um compasso sujo a traços
Não irá me fazer ver o espaço
As lágrimas marcam meu rosto pálido
Meu mundo, fragmentado em mil partes
Como pode este meu eu inválido?
Fazer parte deste mundo das artes?
"Mais uma nota, minha derrota
A estupidez sempre me esgota
Mais um compasso, ao descompasso
Quem me dera poder ver o espaço
Só é verdadeiro o amor de cego
Sem promessas, sem belas visões
Numa consciência sem aspirações
É inexorável a falta de ego
Meu som não soa mais violento
Minha música, não mais atroz
Fiz no palco o silêncio criar voz
Enquanto o compasso ficava cada vez mais lento ...
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
romanticídio
(bernardo malta)
minhas feridas
cicatrizadas
se abrem por você
em melodias
desafinadas
eu grito para alguém
notar o desespero
por trás da emoção
de um amante imortal
penando no final
e em poemas
exagerados
me abro por você
por ironias
improvisadas
eu tento ir além
da ilusão de amante
amando a ilusão
da amada elevada
acima da condição
vem a paixão
e o romance
que desejavas
está enterrado
abaixo das flores
que um dia te dei
minhas feridas
cicatrizadas
se abrem por você
em melodias
desafinadas
eu grito para alguém
notar o desespero
por trás da emoção
de um amante imortal
penando no final
e em poemas
exagerados
me abro por você
por ironias
improvisadas
eu tento ir além
da ilusão de amante
amando a ilusão
da amada elevada
acima da condição
vem a paixão
e o romance
que desejavas
está enterrado
abaixo das flores
que um dia te dei
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