sexta-feira, 28 de agosto de 2009

o pianista cego

(bernardo malta)

Eu nunca me importei
Com o que eu era
Para mim tanto faz
Se hoje Bela, amanhã Fera
Só desejo no final ter paz

Eu nunca me importei
Com o ser ou não ser
Se hoje Deus, amanhã Satanás
Demorou pra perceber
Que para o cego tanto faz


Uma nota para derrota
A estupidez me tira desta rota
E um compasso sujo a traços
Não irá me fazer ver o espaço

As lágrimas marcam meu rosto pálido
Meu mundo, fragmentado em mil partes
Como pode este meu eu inválido?
Fazer parte deste mundo das artes?

"Mais uma nota, minha derrota
A estupidez sempre me esgota
Mais um compasso, ao descompasso
Quem me dera poder ver o espaço

Só é verdadeiro o amor de cego
Sem promessas, sem belas visões
Numa consciência sem aspirações
É inexorável a falta de ego

Meu som não soa mais violento
Minha música, não mais atroz
Fiz no palco o silêncio criar voz
Enquanto o compasso ficava cada vez mais lento ...

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