quarta-feira, 26 de agosto de 2009

desumanidade

(márcio pombo)

- estrupício
desde o início
falo do teu vício
choro suplício
de um capadócio
clamor beócio
a esconder teu ócio
silêncio sócio
do mais louco hospício

- enquanto os sucos que corroem o meu próprio bucho
descem ralos digerindo minha indignidade,
pisoteias-me a alma com teu fel discurso
ignorância de quem nunca soube precisar o precisar

- tão difícil
desde o prefácio
sei do meu ofício
fardo propício
a aguentar indócil
o meu patrício
pôr-me no orifício
já sem prepúcio
estuprador no cio

- em teu lamento esqueces-te de duas ricas rimas:
o cálcio que me falta aos ossos duros de doer;
e o bócio que já não me desce goela abaixo
a pedir passagem ao teu preconceito vil, em seu covil

desumanidade em realimentação
adeus humanidade! entrego-me a todas as fomes
desumana idade de trevas, era de imatura ação
Deus humano! dá de comer a todos os nomes

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