sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ao meu deus de porcelana

(bernardo malta)

Meu intocável Deus de Porcelana
Acima da crença, acima de tudo
Com palavras belas, apenas engana
A esperança do surdo ouvir o mudo

E já está refutado e provado
Aquele que espera nunca alcança,
Aquele que age é o flagelado,
E aquele que reza morre da crença

Meu inquebrável Deus de Porcelana,
A fé que o move é a que me destrói
Estuprando-me com sua lâmina
Me faz morrer,logo, como herói

Pulsos latejando não exprimem a dor
De olhos sangrando o rubro de minha calma
E, calejado corpo de Judas - traidor!
Imune só às emoções de minha alma

Meu fragmentado Deus de Porcelana,
A fé não passa de um delírio
Um convite para se afogar na lama
E de se distanciar do exílio

Faça-me crer em algo que exista
Não em palavras sacras de sermões
A idéia de ter uma luta em vista
Me encoraja a me prender a ilusões

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