(marcelo cavalcante)
os horizontes são tão estreitos
que o meu peito pede abismos
e o salto é magistral nas preces
ou é funeral nos egoísmos
além do que aparece
no amém dos catecismos
saltar no abismo
é purgar os pecados
males e mágoas, paus e pragas
nós e nódoas e maus resultados
e os instantes não tão perfeitos levam
um sujeito ao ceticismo
e o velho ancestral enlouquece
na falta real de heroísmo
até que desaparece
na fé pura dos esoterismos
saltar no abismo
é queimar toda grana
é recriar as oficinas
ratos, piscinas, cazuzas e famas
os visitantes da ilusão são rarefeitos
lavam os defeitos desse vandalismo
e o grude gruda nos parapeitos dos sonhos
degradados do exotismo
e a vida escorre no lodo dos leitos
tristes e tolos
dos sorrisos
saltar no abismo
é voltar a manicômios
é danar o paraíso, medos, demônios,
máscaras e matrimônios.
É sair dos trilhos, consumir sucrilhos,
se reproduzir nos filhos
ou nos espelhos invertidos.
É anestesiar o corpo cansado
num livre voejar no espaço
Ícaro louco, de resto bagaço.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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