(Bernardo Malta)
Estou caindo no vazio
Onde velhas feridas
Tornam-se a abrir
Vejo a luz lá na superfície
- É a melodia da redenção
E não mais a sua canção de ninar
E eu me afogo.
Não em águas ou mágoas
E sim em momentos,
Breves tormentos,
Onde seu rosto perfeito
Rasga-me o peito
Ao se desmanchar no fogo
Enquanto se alimentas de amor,
Morro de fome esperando seus restos
Ainda que amigo, seu protetor
Não mais salivo este gosto indigesto
Soterrado e desterrado
Deixo meu último recado
Através de líricas e trovas
Em poços, e no cal das covas.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
enigma
(márcio pombo)
semblante é porta
que ao abrir-se exorta
o visitante pasmo,
a enredar-se adiante
eclipsada pelo estigma
daquilo que conceitua o belo
a verdade se faz enigma
em olhos, sorriso, cabelo
pobre poeta
que tem por meta decifrar mistérios
sem valer-se de suas abracadabras
nessa terra onde atitudes falam mais que palavras
ah, se pelo menos fosses tu a esfinge,
teria o poeta em seu curioso estado
o alento doce de ser por ti devorado
e erraria, quantas vezes fossem necessárias
pra saciar a sede dos que tem sede
de ascender ao ápice das descobertas,
aproximando o peixe de sua rede
em tuas pistas - diz o poeta:
encontrei choro, beijos e morros
vi passado, presente e futuro
desmanchando-se impuros,
ontem, hoje, aqui e ali
e vi concluíres, em clara sentença
com a crença de que o tempo não para...
mas se ele, o tempo, não para,
o que dizer do momento em que te vi?
semblante é porta
que ao abrir-se exorta
o visitante pasmo,
a enredar-se adiante
eclipsada pelo estigma
daquilo que conceitua o belo
a verdade se faz enigma
em olhos, sorriso, cabelo
pobre poeta
que tem por meta decifrar mistérios
sem valer-se de suas abracadabras
nessa terra onde atitudes falam mais que palavras
ah, se pelo menos fosses tu a esfinge,
teria o poeta em seu curioso estado
o alento doce de ser por ti devorado
e erraria, quantas vezes fossem necessárias
pra saciar a sede dos que tem sede
de ascender ao ápice das descobertas,
aproximando o peixe de sua rede
em tuas pistas - diz o poeta:
encontrei choro, beijos e morros
vi passado, presente e futuro
desmanchando-se impuros,
ontem, hoje, aqui e ali
e vi concluíres, em clara sentença
com a crença de que o tempo não para...
mas se ele, o tempo, não para,
o que dizer do momento em que te vi?
arte
(márcio pombo)
a nudez revela...
pêlos e pelos poros... alma
saber despir-se é refletir-se
num lago de muitas águas
claras, escuras
a cor não importa
desde que a tela surrealista
pontilhada viva em natureza morta
seja pintada com tintas reais
agudas demais pros olhos do cego
o prego, é do todo parte
e o ego serve à arte
que não é plano de descartes
nem descarta o pano de fundo
imundo é o ego falsário
que inunda com suas poses
de pseudoposses e que não reparte
o presente que não ganhou:
"é dando que se recebe"
e artista recebe à vista
a nudez revela...
pêlos e pelos poros... alma
saber despir-se é refletir-se
num lago de muitas águas
claras, escuras
a cor não importa
desde que a tela surrealista
pontilhada viva em natureza morta
seja pintada com tintas reais
agudas demais pros olhos do cego
o prego, é do todo parte
e o ego serve à arte
que não é plano de descartes
nem descarta o pano de fundo
imundo é o ego falsário
que inunda com suas poses
de pseudoposses e que não reparte
o presente que não ganhou:
"é dando que se recebe"
e artista recebe à vista
Assinar:
Postagens (Atom)