terça-feira, 27 de abril de 2010

enigma

(márcio pombo)

semblante é porta
que ao abrir-se exorta
o visitante pasmo,
a enredar-se adiante

eclipsada pelo estigma
daquilo que conceitua o belo
a verdade se faz enigma
em olhos, sorriso, cabelo

pobre poeta
que tem por meta decifrar mistérios
sem valer-se de suas abracadabras
nessa terra onde atitudes falam mais que palavras

ah, se pelo menos fosses tu a esfinge,
teria o poeta em seu curioso estado
o alento doce de ser por ti devorado

e erraria, quantas vezes fossem necessárias
pra saciar a sede dos que tem sede
de ascender ao ápice das descobertas,
aproximando o peixe de sua rede

em tuas pistas - diz o poeta:
encontrei choro, beijos e morros
vi passado, presente e futuro
desmanchando-se impuros,
ontem, hoje, aqui e ali
e vi concluíres, em clara sentença
com a crença de que o tempo não para...

mas se ele, o tempo, não para,
o que dizer do momento em que te vi?

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