quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poços

(Bernardo Malta)

Estou caindo no vazio
Onde velhas feridas
Tornam-se a abrir
Vejo a luz lá na superfície
- É a melodia da redenção
E não mais a sua canção de ninar

E eu me afogo.

Não em águas ou mágoas
E sim em momentos,
Breves tormentos,
Onde seu rosto perfeito
Rasga-me o peito

Ao se desmanchar no fogo
Enquanto se alimentas de amor,
Morro de fome esperando seus restos
Ainda que amigo, seu protetor
Não mais salivo este gosto indigesto

Soterrado e desterrado
Deixo meu último recado
Através de líricas e trovas
Em poços, e no cal das covas.

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