segunda-feira, 10 de maio de 2010

Revelações

(Josiane Fonseca)

Ao romper da aurora
Vasculhar por dentro
E por o lixo fora

Abrir as portas da incerteza
Sorrir
E deixar o sol trazer
A alma para fora
Dormir

No Domínio do improvável
A Condição inexorável
Das revelações inesgotáveis
Que a entrega à alma impõe

Desvelo da alma
Revelar-se ao novo
Importar-se pouco com o que já foi

Questionar talvez
Duvidar jamais
De tudo aquilo
Que a alma é capaz

Manifestação

(Josiane Fonseca)

Pensando em pensar
Pensei em Ti
Pensando em não pensar
Me confundi

Ao deitar e Contemplar
A lua
Que se vestia bela e nua
A desejar o meu olhar
Que me fez pensar

Pensando em não pensar
E ficar só a contemplar
A grandiosidade que no céu está

Que faz o mundo girar
E o céu manifestar
A beleza do olhar
De quem quer pensar

Pensando em não explicar
O que o céu tem para realizar
E refleti no meu olhar
A luz que lá está

Caminhos

(Josiane Fonseca)

Eles vão andando simplesmente pó aí,
Sem rumo,
No escuro
Na cidade
Sem parar, sem olhar
Sem ouvir e respirar,
Os olhos vendados pela vida e
Os ouvidos tapados pela dor
E andando para não sofrer
Tropeçando, Caindo e Ficando
No meio da poeira, da sujeira, do mundo

Amorzinho

(Josiane Fonseca)

No amor, na lembrança
É favo de mel a esperança
O doce brincar de criança
Som de cantiga ninar
Dormir entre braços sedosos
Sonhar
Acordar feito criança
brincando com a lembrança
Guardando a esperança
De à noite o amor voltar.

Luz do Amor

(Josiane Fonseca)

Na face negra de teu olhar
Repousa meu coração
Suave, sereno e calmo
A pulsar o amor que não vai a ti chegar

Amor que vem sem angustia
Amor que vem sem astúcia
Amor que traz a alegria só de poder amar

Amor que se renova
Revela apraz e acalma
Traz no cerne a luz da alma
Daqueles que vão se encontrar

Encontro não projetado
Destinos não programados
Do amor que só quer amar

Amor que pulsa e brilha
Traz à Luz a alegria
A beleza de todo dia
Das almas a se encontrar

Encontro que traduz
A força que ao corpo seduz
Elevando a alma à grandeza
De experimentar a beleza
Da benção que a Deus Conduz

Náufrago

(Josiane Fonseca)

Não navego muito nesse mar
Que nem sempre leva a algum lugar
Vejo muita gente naufragar
Por não saber navegar

Na tentativa de tudo ao mesmo tempo
Para em todos os portos no mesmo momento
Inútil tentativa do iludido turista
Que passa sem perceber a verdadeira beleza
E sem conhecer toda grandeza.

Não navego muito nesse mar
Que roda no mesmo lugar
A formar redemoinhos e levar a naufragar
O incauto que navega nesse mar

Perdido nesse mar
O turista a se afogar
procura um porto para abordar
mas não sabe como chegar

Roda roda a procurar
A boia pra se apoiar
Mas não sabe encontrar o que ficou em outro lugar

Perder a alma nesse mar é muito fácil pra quem não sabe navegar