(márcio pombo)
semblante é porta
que ao abrir-se exorta
o visitante pasmo,
a enredar-se adiante
eclipsada pelo estigma
daquilo que conceitua o belo
a verdade se faz enigma
em olhos, sorriso, cabelo
pobre poeta
que tem por meta decifrar mistérios
sem valer-se de suas abracadabras
nessa terra onde atitudes falam mais que palavras
ah, se pelo menos fosses tu a esfinge,
teria o poeta em seu curioso estado
o alento doce de ser por ti devorado
e erraria, quantas vezes fossem necessárias
pra saciar a sede dos que tem sede
de ascender ao ápice das descobertas,
aproximando o peixe de sua rede
em tuas pistas - diz o poeta:
encontrei choro, beijos e morros
vi passado, presente e futuro
desmanchando-se impuros,
ontem, hoje, aqui e ali
e vi concluíres, em clara sentença
com a crença de que o tempo não para...
mas se ele, o tempo, não para,
o que dizer do momento em que te vi?
terça-feira, 27 de abril de 2010
arte
(márcio pombo)
a nudez revela...
pêlos e pelos poros... alma
saber despir-se é refletir-se
num lago de muitas águas
claras, escuras
a cor não importa
desde que a tela surrealista
pontilhada viva em natureza morta
seja pintada com tintas reais
agudas demais pros olhos do cego
o prego, é do todo parte
e o ego serve à arte
que não é plano de descartes
nem descarta o pano de fundo
imundo é o ego falsário
que inunda com suas poses
de pseudoposses e que não reparte
o presente que não ganhou:
"é dando que se recebe"
e artista recebe à vista
a nudez revela...
pêlos e pelos poros... alma
saber despir-se é refletir-se
num lago de muitas águas
claras, escuras
a cor não importa
desde que a tela surrealista
pontilhada viva em natureza morta
seja pintada com tintas reais
agudas demais pros olhos do cego
o prego, é do todo parte
e o ego serve à arte
que não é plano de descartes
nem descarta o pano de fundo
imundo é o ego falsário
que inunda com suas poses
de pseudoposses e que não reparte
o presente que não ganhou:
"é dando que se recebe"
e artista recebe à vista
quinta-feira, 4 de março de 2010
Versos do Verso
Novamente me vejo escrevendo,
Nesta folha morta,
Que as vezes penso na falta de sorte,
Mas não importa,
Agora meu coração bate mais forte
E bate quando eu te vejo
(E quando não vejo)
E bate quando você vem
(E quando não vem)
E bate quando eu te beijo
(Mas eu não beijo)
E na saudade bate também
Pode me ver como amigo,
Não há problema em ver,
Mas saiba que só contigo
Eu me sinto enfim em paz,
Paz que ninguém há de oferecer,
Jamais.
Meu Espetáculo
Vejo na sua retina
Espetáculo, sim
Que prorroga a rotina
Do início, meio e fim
Vejo na sua alma o
Espetáculo, e não,
Não espero ouvir as palmas
Pela sua triste atuação
E num passe de mágica
A peça vira trágica
O espetáculo perde a graça
Quando a platéia vê a farsa
Vejo nos seus frisos
Espetáculo, sim
Que dissona de nossas risos
Da tristeza de nós,
Da tristeza de mim
Pois eu pus meu coração
Em todos os versos que fiz
Me entreguei até o último avo da fração
E me vejo agora por um triz
E num passe de mágica
A peça fica trágica
O espetáculo já sem graça
É consumido pelas traças
Ode ao Ódio
Por mais de 10 anos
Arrastei sua corrente
Não sou Deus, não sou crente
Sou só mais um doente
E sentir esse veneno
Gosto ameno de sua mente
E o seu jeito reticente
Faz de mim um demente
Faço o teu Inferno
O meu Carnaval
Pra ser bem sincero
Só quero o seu mal
Meu bem, pra sempre e eterno
Este é meu conto sem final
Uma criança no Inverno
Sem presente de Natal
Tudo o que te resta
É moer o meu ódio
Vomitar os seus pecados
Ou descer deste pódio
Tudo seu que não presta
Seu rosto e coração
Feitos do que resta
De uma doce Ilusão
Anacruse
Ana, queria te encontrar
Te contar os meus segredos
E me livrar destes medos
Ana, lista de meus defeitos
A parte de meus problemas
Minha artista das mil cenas
Ana, grama do meu jardim
Que não seca ao pisarem
Em seu verde cetim
Ana, cruze nossos caminhos
De compassos incompletos
Repletos de espinhos
Ana, crônica da minha vida
A que se perde na história
De uma memória partida
Ana, estrofe das poesias
Escritas sem destinatário
E sem acordes ou harmonias
Ana, morada do meu coração
Cuide dele com o esmero
Que eu fiz esta canção
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
maya
(márcio pombo)
quero poder
poder dominar
se sou dele, sou ele
minto enquanto sinto
eterno enquanto carne
que não discerne o cerne de todo o controlar
sou deus cego
provando do bem e do mal
do ter e do não ter
do sorrir e do sofrer
e ainda assim não vê
que anda em círculos cada vez mais curtos
em torno de maya
em torno de maya
eu, minha, meu eu...
vozes da ilusão
de um corpo nada sutil
vagando, pó ao pó,
embarcação pirata e suas pilhérias
indo de encontro à tempestade
quero poder
poder dominar
se sou dele, sou ele
minto enquanto sinto
eterno enquanto carne
que não discerne o cerne de todo o controlar
sou deus cego
provando do bem e do mal
do ter e do não ter
do sorrir e do sofrer
e ainda assim não vê
que anda em círculos cada vez mais curtos
em torno de maya
em torno de maya
eu, minha, meu eu...
vozes da ilusão
de um corpo nada sutil
vagando, pó ao pó,
embarcação pirata e suas pilhérias
indo de encontro à tempestade
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